A história recente da saúde sexual no Brasil pode ser contada por números, boletins epidemiológicos e curvas de crescimento de determinadas infecções. Mas também pode ser lida nos comportamentos cotidianos de milhões de brasileiros. É uma história coletiva — silenciosa, às vezes invisível — que se desenrola nas escolhas sobre proteção, testagem, autocuidado e busca por informação.
Nos últimos anos, essa história ganhou novos capítulos. E todos eles apontam para o mesmo fenômeno: o aumento significativo de IST, especialmente entre jovens de 15 a 29 anos. Não é um movimento isolado, nem simples. É o resultado de interações entre comportamento social, mudanças culturais, políticas públicas, acesso à informação e à testagem.
E, quando observamos esse cenário, percebemos que as IST mais comuns além do HIV — como clamídia, gonorreia, sífilis, tricomoníase e herpes genital — hoje formam um conjunto de infecções que refletem exatamente essa transformação.
Quando analisamos o aumento das IST ao longo dos últimos anos, percebemos que a transmissão não está ligada apenas ao sexo desprotegido, mas ao conjunto de escolhas que compõem a vida sexual moderna. Hábitos aparentemente simples têm um impacto profundo na disseminação dessas infecções.
Muitos jovens, por exemplo, confiam apenas na aparência do parceiro, acreditam que “isso não acontece comigo”, adiam a ida ao médico, não fazem testagem regular e acumulam parceiros casuais sem o uso consistente de preservativo.
Esses comportamentos constroem uma cadeia de transmissão difícil de interromper. E, como boa parte das IST permanece assintomática por meses, o silêncio dos sintomas faz com que muitas pessoas sigam transmitindo infecções sem ter consciência disso.
É essa combinação de hábitos, percepções e lacunas de informação que alimenta o crescimento das IST — e que torna tão urgente repensar a forma como cuidamos da saúde sexual.
O quadro atual não acontece por acaso. Boletins e reportagens recentes mostram que:
Mesmo assim, o Ministério da Saúde tem reforçado estratégias de prevenção, com campanhas de Carnaval, ampliação de testagem, distribuição de novos modelos de preservativos e comunicação mais direta com o público jovem.
Mas a crescente de novos casos mostra que ainda há um longo caminho a percorrer.
Embora diversas infecções componham o universo das IST, cinco delas são hoje protagonistas, seja pela frequência e/ou seja pelo impacto na saúde pública.
A seguir, apresentamos as cinco IST mais prevalentes além do HIV, com foco em como cada uma se encaixa na história coletiva da saúde sexual no Brasil.
A IST bacteriana mais comum do mundo.
A clamídia avança silenciosamente. Até 80% das mulheres e 50% dos homens não apresentam sintomas, o que faz com que a infecção circule com facilidade, especialmente entre jovens.
Por que é tão frequente?
Porque passa despercebida, sendo muitas vezes subdiagnosticada. Muitas pessoas acreditam que “está tudo bem” quando não há dor ou corrimento, além do fato de que o desconhecimento sobre a doença ainda é muito grande.
Riscos:
Uma IST antiga que ganhou um inimigo novo: a resistência antimicrobiana.
Reportagens recentes alertam que a gonorreia está adquirindo resistência a múltiplos antibióticos, tornando-se uma ameaça global — e o Brasil não foge dessa tendência.
Por que preocupa?
A história da gonorreia hoje é também a história da urgência por diagnóstico preciso.
Uma epidemia que voltou com força.
Mesmo após anos de políticas de controle, os boletins epidemiológicos continuam apontando aumento da sífilis adquirida, gestacional e congênita. O Brasil luta contra uma onda persistente da infecção.
Por que cresce tanto?
A sífilis, mais do que qualquer outra IST, escancara como a ausência de cuidado individual afeta toda a sociedade — inclusive bebês que jamais estiveram expostos por escolha própria.
A mais comum das IST parasitárias — e ainda pouco falada.
Essa é uma infecção que, apesar da prevalência, quase não aparece em campanhas de prevenção. Talvez por não ser tão midiática, talvez por aparecer muito associada a casos leves.
Mas ela é frequente e altamente transmissível, especialmente em ambientes com menor acesso a diagnóstico.
Por que merece atenção?
A IST que acompanha para toda a vida.
O herpes é uma infecção viral recorrente e extremamente comum. O problema é que sua transmissão acontece mesmo sem lesões aparentes, o que contribui para a disseminação silenciosa.
O que torna o herpes tão presente?
Ao contrário das IST bacterianas, o herpes não tem cura — reforçando o papel preventivo e educativo da saúde sexual.
Essa história coletiva das IST revela um ponto central: não existe prevenção eficaz sem diagnóstico.
E, nos últimos anos, o diagnóstico molecular ganhou protagonismo por trazer vantagens como:
É por isso que, mesmo que boa parte da população ainda não esteja habituada à testagem periódica, ela é essencial para conter infecções assintomáticas.
Laboratórios e clínicas têm papel fundamental na prevenção e no diagnóstico de IST. E a Mobius contribui com essa missão oferecendo soluções moleculares de alta performance, como:
Detecta 11 microrganismos, incluindo clamídia, gonorreia, sífilis, tricomoníase, herpes e outros agentes relevantes.
Focado nas infecções bacterianas e parasitárias mais frequentes no consultório, o kit detecta 7 agentes infecciosos.
Ambos os kits ajudam laboratórios a acompanhar essa realidade epidemiológica em constante mudança, oferecendo diagnósticos mais completos, rápidos e confiáveis.
https://www.metropoles.com/saude/gonorreia-resistencia-antibioticohttps://bvsms.saude.gov.br/dezembro-vermelho-campanha-nacional-de-prevencao-ao-hiv-aids-e-outras-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-2/
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/i/ist