Produtos Quem Somos

Aleitamento materno e Transmissão Vertical: Como o Diagnóstico Molecular Pode Tornar a Amamentação Mais Segura

O aleitamento materno é incentivado globalmente e desempenha um papel essencial na nutrição, no desenvolvimento e na proteção imunológica de bebês e crianças. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação seja exclusiva nos primeiros seis meses de vida.

Por ser o primeiro alimento, que impacta diretamente em diversos fatores, desde a nutrição até sistema imunológico, é fundamental verificar se o leite materno está livre de agentes congênitos que possam afetar esse processo.

Nesse contexto, é fundamental identificar e controlar infecções congênitas e transmissíveis da mãe para o bebê, como HIV, sífilis, hepatite B e HTLV.

O risco da transmissão vertical

A transmissão vertical ocorre quando doenças infecciosas são passadas da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação. Dentre as principais doenças que podem ser transmitidas dessa forma estão:

HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

O vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1), quando não ocorre nenhum tipo de intervenção durante a gestação, pode alcançar uma taxa de transmissão de até 30%. Quando não há o uso de antivirais, ainda há o risco associado também ao parto e a amamentação.

Sífilis

No caso da Sífilis, além da transmissão durante a gestação ou parto, ela pode ocorrer por meio do aleitamento materno, caso haja lesões primárias e secundárias na aréola e/ou mamilo.

Hepatite B

Essa doença infecciosa, no caso das gestantes, tem o maior risco de transmissão para o recém-nascido no momento do parto. No caso da amamentação, o que pode representar um risco é quando a criança entra em contato com o sangue materno existente em fissuras ou traumas mamilares.

HTLV (Vírus Linfotrópico Humano de Células T)

Essa retrovirose é classificada em dois grupos (HTLV-1 e HTLV-2), e pode causar doenças neurológicas, oftalmológicas, dermatológicas, urológicas e hematológicas.

Todas essas infecções, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem comprometer seriamente a saúde da mãe e do bebê.  

Por isso, é fundamental que logo que a gestação seja identificada, a gestante passe por exames que possam auxiliar não apenas no diagnóstico, mas, também, no controle das doenças.

Cuidados que começam desde o pré-natal

O pré-natal é o momento estratégico para detectar e controlar riscos. Além dos exames sorológicos convencionais, o diagnóstico molecular se destaca por identificar vírus e bactérias com alta precisão, mesmo em estágios iniciais.

Por meio desse tipo de metodologia é possível:

  • Triagem precoce no pré-natal

Fazer a identificação precoce, logo no estágio inicial da gravidez, permitindo que toda a gestação tenha um acompanhamento personalizando, identificando condutas mais adequadas, como, por exemplo, a adaptação ou suspensão do aleitamento.

  • Monitoramento contínuo da carga viral

Os diagnósticos moleculares também permitem que seja realizado o monitoramento contínuo da carga viral. Dessa forma, é possível ajustar o protocolo conforme a resposta ao tratamento.

Inclusive, a recomendação é que o durante o acompanhamento da gestante, a medição da carga viral ocorra na primeira consulta, após 4–8 semanas do início da terapia antirretroviral, e no final da gestação.

Assim é possível ter um acompanhamento mais detalhado. O Multi IST Chip da Mobius é um grande aliado nesse monitoramento

Isso porque, ele é capaz de detectar, em uma única análise, 11 patógenos de transmissão sexual. Além disso, ele também permite analisar os resultados do tratamento, identificando se ele está surtindo o efeito desejado ou não.

  • Possibilidade de suporte multidisciplinar

Além disso, ao contar com um diagnostico molecular que elenque todas as particularidades das doenças identificadas, bem como dos protocolos adequados, é possível receber o suporte de equipes multidisciplinares, com infectologistas, pediatras e profissionais atuantes em bancos de leite, que terão como foco garantir segurança e acolhimento para mãe e bebê.

O papel dos bancos de leite humano para garantir o aleitamento materno

No caso de mulheres que possuem algum tipo de contraindicação para o aleitamento, os bancos de leite são excelentes opções. Atualmente, o Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo.

Esses bancos coletam, processam, testam e distribuem leite materno doado por mulheres saudáveis, garantindo que bebês em situação de risco, como prematuros ou filhos de mães com infecções transmissíveis, recebam nutrição adequada.

Atualmente, o Brasil possui 222 bancos de leite humano e 217 postos de coleta, distribuídos por todos os estados. Essa rede é coordenada pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança e Aleitamento Materno.

Essa rede possui papel ativo e essencial para a manutenção da amamentação de bebês, quando há algum impedimento para mãe biológica.

Aspectos emocionais e sociais do aleitamento diante de infecções transmissíveis

O diagnóstico de uma infecção durante a gestação ou amamentação pode gerar medo, culpa e insegurança na mãe. Por isso, é fundamental, que a mãe receba acolhimento emocional.

É preciso garantir que ela compreenda que o cenário não precisa ser alarmista, e que apesar de existirem sim riscos, com protocolos, adequações e até mesmo alternativas, é possível realizar o aleitamento materno de maneira segura.

Seja o início do tratamento com antivirais para que ela possa amamentar, ou utilizando-se de bancos de leite para o fornecimento de alimento seguro. E para além disso, é essencial respeitar as escolhas maternas, dentro das possibilidades clínicas disponíveis.

Importante ressaltar que o leite materno é um dos recursos mais poderosos para garantir saúde e desenvolvimento nos primeiros anos de vida. E, por meio da prevenção, diagnóstico precoce e condutas personalizadas, é possível garantir um aleitamento mais seguro.

O diagnóstico molecular não apenas identifica riscos, mas possibilita decisões baseadas em dados, preservando o direito de cada bebê a uma nutrição segura e de cada mãe a amamentar com tranquilidade.

Referência

19908c-GPA – DoençMat Infec e Amam.indd

certificacao-da-eliminacao-da-transmissao-vertical-de-hiv-e-ou-sifilis.pdf

miolo_pcdt_tv_04_2022.indd